Origem

O Rastro

De onde vem o trabalho.

Ivie Jones começou pela leitura.

Não pela filosofia, não pela teoria, não pela intenção de construir um sistema. Pela leitura — e pela escrita que a leitura exige de quem não consegue ficar quieto diante de uma página.

Letras veio depois, como consequência natural. O cinema sempre esteve junto — não como espectador passivo, mas como quem percebe que a imagem pensa de um jeito que a palavra não alcança, e que as duas juntas fazem algo que nenhuma faz sozinha.

A sala de aula foi um acidente.

Um acidente que ficou — e que mudou a direção de tudo. Porque ensinar obriga a habitar o pensamento de outro modo: não apenas compreender, mas tornar compreensível. Não apenas saber, mas estar presente no momento em que alguém ainda não sabe.

O jovem que entrou nessa sala queria consertar o mundo.

Não consertou.

Mas aprendeu — lentamente, às vezes dolorosamente — que talvez o ponto não fosse o conserto. Que talvez o ponto fosse o gesto: concreto, situado, imperfeito, sem promessa de chegada.

É disso que este trabalho é feito.