Trilogia filosófica

A Casca

Três livros que não prometem chegada.

Os três livros podem ser lidos em qualquer ordem. Cada um é completo em si. Juntos formam algo que nenhum contém sozinho: uma filosofia que parte da ferida, recusa a cura como ideal e chega na práxis como único lugar onde a teoria prova que é verdadeira.

I
Em andamento Ensaio filosófico

Deus numa Casca de Noz

Não é matar Deus. É acompanhar seu sepultamento — e descobrir que a casca nunca foi a igreja.

O sistema que mais prega a transcendência é o mais preso à matéria. O cristão materialista pós-moderno trocou a salvação pela prosperidade, a graça pelo desempenho, o céu pelo mercado — e não percebeu.

O corpo que esse sistema mais nega é o que mais depende: o corpo feminino que gerou o Filho, o corpo negro que construiu o templo, o corpo desejante que a lei precisou controlar para existir.

Entrada pela sabedoria popular. Genealogia pela história do pensamento. Saída pelo humanismo encarnado: situado, sem garantias, sem o Deus que administra a violência chamando-a de amor.

"O Pai nomeia. A mãe encarna.
Sem carne, o Pai é só voz —
uma voz que esqueceu de onde veio
e chamou seu esquecimento de lei."
Spinoza · Marx · Freud · Lacan · Fanon · Beauvoir · Mbembe
II
Em andamento Ensaio filosófico-literário fragmentário

O Labirinto e a Régua

A ferida que se repete. O gesto que interrompe.

O problema central da existência humana não é o sofrimento. É a tendência de transformar a própria ferida em repetição, método e estrutura.

A consciência não salva — ela apenas torna a repetição intolerável. O que vem depois é o gesto: concreto, imperfeito, situado, sem promessa de chegada.

Das cinco feridas narcísicas ao gesto mínimo possível. Da repetição que condena à sobriedade que continua. Do desencanto da arte à bonança: o encanto depois do encanto.

Tentar usar uma régua para medir um labirinto não ajuda ninguém a encontrar a saída. O oposto do cinismo não é a pureza — é a práxis.

"Você já estava aqui
antes de abrir este livro.
Eu também."
Spinoza · Marx · Freud · Lacan · Foucault · Arendt · Bourdieu · Žižek · Han · Camus · Rosa Luxemburgo · Deleuze · Guattari
III
Escrito — revisão em curso Ensaio filosófico

A Quarta Ferida Narcísica

A consciência que não se pertence.

As três feridas clássicas — Copérnico, Darwin, Freud — operam por deslocamento externo. Marx abre uma ferida de outra ordem: a consciência não é deslocada, ela é produzida.

E é produzida de modo a não reconhecer sua própria produção. O sujeito não apenas não domina o mundo: ele tampouco é autor das condições que o fazem pensar.

Arqueologia da consciência em três movimentos. De Spinoza a Hegel a Marx. De Freud a Lacan. De Sloterdijk a Han a Žižek: a quarta ferida operando no presente.

"A ideologia não é apenas aquilo que pensamos.
É aquilo que pensa em nós."
Spinoza · Hegel · Marx · Freud · Lacan · Sloterdijk · Han · Žižek · Chaui · Bourdieu